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É hora de mudar … (-se) …

agosto 1, 2013

big-bang

Primeiro de agosto de 2013. As férias acabaram e é hora de voltar a nossa velha rotina, aquele nosso dia a dia …

Mas, … , espera aí, … depois de tudo que se viu nas ruas no último mês, … depois do esperado fim do mundo, que não veio para acabar com nossas angústias, … depois de meses e meses de custos subindo e receitas caindo na empresa e não conseguindo enxergar uma luz no fim do túnel. … Depois de uma simples passagem de ônibus ter um valor que consideramos se conseguiremos ou não pagar. Depois de um simples programa familiar de cinema e pipoca poder representar 25% de um salário mínimo no país. Depois daquela saída ao restaurante ou viagem de férias que se transformou de um prazer a um motivo de 100% de irritação (como até mencionado na capa do Portal do Estadão). Está claro que algo está errado, em vários níveis, e não vou nem entrar aqui no tema da corrupção e des-governança em que se encontra nosso país.

Bom, sob alguns aspectos, posso dizer que já esperava que muito disso viesse acontecer algum dia. Explico. Em 1990, dois anos depois de me formar engenheiro, e vendo o Brasil sem esperança no curto prazo, fui morar na Europa e logo comecei a entender alguns motivos de diferenças fundamentais que vivíamos no Brasil. Me perguntava, o porque de na Europa os restaurantes tinham muito menos funcionários e muitas vezes uma só família tocava tudo sozinha. Ou porque os serviços eram tão caros, ou mesmo porque uma sociedade tão rica e famílias que por vezes tinham Ferraris, não conseguiam ou queriam ter motoristas e empregadas domésticas que os ajudassem em casa. Meu questionamento foi só aumentando quando em 1998 fui morar no Japão. Lá entendi que talvez eu tivesse feito uma viagem ao futuro, onde por razões históricas, cultura milenar, pós-guerra, etc, a sociedade alí tinha atingido um nível de respeito, educação, maturidade, igualdade, que talvez em uns 20 anos, somente, o Brasil conseguisse vislumbrar. Lá, cheguei a cair da cadeira ao ter que pagar US$500 por um bife de Kobe ou ver apartamentos de 100 m2 custando US$5 milhões. Ainda assim, ao ver que renda média da família japonesa em US$8 mil e com uma distribuição de renda muito menos piramidal que a brasileira, ficou claro que eu estava vivendo um país que tinha buscado reduzir as diferenças.

Bom, mas para quem está no Brasil hoje, em 2013, em algumas partes estamos chegando quase lá …? Nosso bife de Kobe já chegou na centenas de reais e os apartamentos chegaram na faixa de milhão de dólares. No entanto a renda média familiar continua longe do patamar japonês, europeu ou americano. E a distribuição, então, nem se compara. Mas, porque, 15 anos depois, estamos alcançando rapidamente o nível de preços, mas as entradas, receitas, salários, não conseguem nem espelhar uma tendência semelhante?

Tentei explicar isso ao meu filho hoje, e me veio em mente as razões históricas, do Brasil tendo sido colônia de exploração, com a escravidão e o prolongamento da sociedade dicotomizada entre burguesia e proletariado. E que finalmente, nos últimos anos, a base da pirâmide começa a ter uma remuneração menos indigna e que começam a poder ter sonhos que antigamente não podiam se permitir, como ter uma casa, um carro, uma viagem de férias. Do outro lado, as famílias que tinham empregada, babá, motorista começam a sentir a pressão do aumento desses custos. Os restaurantes e outras empresas de serviços passam também a sentir a pressão do excesso de funcionários, comparado com os semelhantes europeus, japoneses, americanos e tentam em um primeiro momento, repassar os custos em preços. E é nesse ponto que retorno ao artigo do Estadão do início do post.

Bom, entendi, estamos então em um momento de reinvenção da nossa sociedade, com melhoria de distribuição de renda, melhor igualdade social, mais respeito às diferenças e diminuiçao das desigualdades. Nos negócios, o momento é da busca de maior eficiência até como condição fundamental de sobrevivência.

“Ah, então estamos chegando lá, estamos no caminho e tudo isso que vivemos é uma febre, que é o trabalho dos anti-corpos na nossa recuperação” – poderão dizer alguns … Infelizmente não é não.

Nosso problema é muito maior… Mas nossa oportunidade também.

Nossa oportunidade nesse momento em que o “Brasil acordou” é entender o que cabe a cada um de nós nessa nova era:

– os governantes tem a oportunidade de abandonar de vez o modelo de colônia e corrupção e assumir com responsabilidade e coragem uma nova era, menos politicos, menos regalias, menos, menos, menos, …: reinventem-se, mudem-se

– os empresários tem a oportunidade de reinventar seus negócios, buscar eficiência e não buscar simplesmente a manutenção do status quo com barreiras de entrada e legislações protetivas: reinventem-se, mudem-se

– as familias que não tinham limites de gastos antigamente tem oportunidade de revisar suas prioridades, cortar os luxos e exageros em excesso, carros, viagens, festas. Dêem valor ao que realmente tem valor, fiquem mais junto e gastem menos tempo com distrações: reinventem-se, mudem-se

E eu??? O que eu posso fazer nisso tudo?

Bom, talvez eu possa no meu nível acabar com a corrupção. Eu posso não colaborar com o sistema vigente em cada ato no dia a dia. Eu não vou colaborar com a corrupção e desonestidade. Eu vou buscar mais eficiencia nos meus negócios e não corromper por regalias e barreiras. Eu vou ajudar a minha família a entender o que realmente tem valor, independente ao que o vizinho faça. Se tiver que deixar de viajar, deixarei. Se tiver que seguir o exemplo do carro do Papa, seguirei. Ao invés do buffet infantil, cortarei um bolinho com os amigos em casa, como minha mãe fazia para mim.

Mas, acima de tudo, acho que o momento vai muito além de tudo que falei até agora. Os extremos a que chegamos e a insatisfação geral com o status quo, são de fato uma grande oportunidade para mudarmos como Planeta Terra. Seja com a perspectiva social, seja ecológica, seja emocional, seja espiritual. Que nessa volta das férias, que cada um de nós consiga entender o papel que cada um faz nessa engrenagem e que consiga se reinventar, pois CHEGOU A HORA DE MUDAR …

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One Comment leave one →
  1. Maria Nilza Bianchi permalink
    agosto 1, 2013 15:07

    Gostei muito~!!!!!! Beijos

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