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iPad começa dar aos brasileiros o gostinho de um novo mundo sem os gargalos e limitações do papel, transporte e distribuição

junho 2, 2010

Conforme tema da capa no Valor Económico de hoje, uma primeira onda de brasileiros já vem testando o iPad nas suas experiências diárias dando os primeiros sinais das funções que os brasileiros atribuirão à essa nova categoria de tablets.

Sem previsão ainda para chegar ao Brasil, provavelmente deve acontecer no início do segundo semestre conforme tenho me informado com a Apple e Anatel por aqui, alguns milhares de brasileiros se anteciparam e já estão vivendo seus dias com seus brinquedinhos na mão. O fato, que trabalhando com o meu há quase dois meses, posso afirmar categorigamente, que o iPad deixou de ser um brinquedinho e ocupou um espaço importante no meu dia-a-dia.

Verdade que existem limitações e que como produtor de blog, conteúdo, palestras, estudos, não consigo ainda viver sem um lap-top ou desktop, nessa primeira versão do tablet, com configurações atuais. Mas como consumidor de conteúdo, livros, jornais, videos, games, não consigo mais ter o lap-top ou desktop como referência. Além da usabilidade e praticidade do consumo de mídia, tenho nas minhas mãos conteúdos que raramente acessava com tanta facilidade, praticidade e velocidade. Por exemplo, meus hábitos de leitura de jornais e revistas mudaram. Hoje não tenho que esperar até a quarta da semana seguinte para ler a The Economist impressa. No mesmo dia que vai em circulação nos EUA (de quinta à noite para sexta de manhã), recebo um e-mail que minha revista está disponível no aplicativo Zínio para download, tal qual a versão impressa. Melhor que a The Economist, algumas revistas como a Viv Magazine, National Geographic ou a Wired já trazem elementos muito além da versão impressa com vídeos, infográficos animados, acessos fáceis a e-commerce dos produtos anunciados, etc. Para os felizes proprietários de iPad nesse primeiro momento, os preços da Zínio estão até que muito interessantes para algumas revistas como MacWorld, Maxim, Viv Magazine, na qual a assinatura anual está na faixa de US$10-20 nesse primeiro momento. A revista The Economist, que tem 52 edições anuais sai por US$128, uma barganha para os quase R$600 que paga um assinante que deseja receber em papel no Brasil, com uma semana de atraso. Tudo bem que muito disso, já se fazia pelo computador, mas confiem em mim, agora o sentimento é outro, realmente me satisfaz a leitura no sofá e sem sujar as mãos, no mínimo …

Na categoria jornais, o papel da Zínio (banca de revistas virtual) é feito pelo aplicativo PressReader que oferece 1500 títulos de jornais do mundo inteiro, tal e qual são colocados em banca e muitas vezes antes mesmo de chegarem às bancas de seus países. Hoje mesmo li o Corriere della Sera, Estadão e Valor (onde achei essa reportagem de capa, por acaso). Para os consumidores pessoais (não corporativos) ávidos de jornais do mundo, uma assinatura de US$29,95 dá acesso a toda essa biblioteca de edições diariamente. Por US$9,95 pode-se ler 31 edições por mês (podendo alterar títulos), além de armazená-las em seu iPad. Edições avulsas saem por US$0,99.

Essa experiência dos últimos dois meses me trouxe uma nova visão do futuro da mídia impressa. Vejo um futuro no qual os gargalos e limites impostos pelo papel, transporte e distibuição não serão mais empecilhos para a proliferação dos melhores conteúdos em qualquer região geográfica e a custos mais acessíveis a uma parte maior da população. Isso cria uma clara oportunidade para a expansão da circulação de jornais para Estados / Países em que o transporte torna a versão papel quase que proibitiva (ex. The Economist aqui no Brasil). Isso abaixa também as barreiras de entrada para que novas publicações focando-se apenas no conteúdo consigam penetrar em mercados até então inviáveis. Esse tema estratégico para os publishers, deixarei para desenvolver em outro post, pois faz parte de um trabalho em desenvolvimento com clientes.

Mas voltando à matéria no Valor Econômico. Durante quase uma hora de entrevista, pude contribuir um pouco com o desenvolvimento do tema e entre algumas frases aqui e ali, citam uma estimativa minha de que no Brasil já existem cerca de 2 mil iPads. A fonte de tal numero foi uma pesquisa mundial da Admob, que indica que cerca de 38% dos iPads já estão fora dos EUAs. Essa mesma pesquisa traz números indicativos do que a Admob consegue enxergar de sua plataforma publicitária de iPads, iPhones e iPodTouchs nos vários países. Nessa amostra, que não abrange o todo, viu-se já 2 mil iPads no Brasil. Em uma outra perspectiva e considerando que o share brasileiro de 0,25% dos iPads mundiais, o Brasil teria já 5 mil iPads ao se considerar os números oficiais da Apple de 2 milhões de iPads vendidos até Maio. Pois bem, 2-5 mil não importa, certo? Errado. Em um país, em que quem vende 5 mil livros é best-seller, a circulação de um jornal econômico é de 50 mil e do maior jornal do país é 300 mil, se o iPad ao chegar oficialmente ao país vender 50, 100, 200 mil, preparem-se pois esse novo mundo poderá estar muito mais próximo do que imaginávamos …

(Fonte: Admob – Segundo o estudo, América Latina tem 3% dos 2 milhões de iPads que Steve Jobs afirma ter já vendido, no mesmo estudo Brasil aparece com 0,25%)

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