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A inércia e a inovação

novembro 9, 2010

Certo, o vídeo é só um lembrete dos tempos de escola, na qual aprendemos que a inércia, primeira lei de Newton, junto com a segunda, da quantidade de movimento são as que determinam que os corpos tendem a manter sua quantidade de movimento e direção, a menos que recebam energia (força) para que mudem de velocidade ou trajetória. Também aprendemos que quanto maior a massa, maior a energia necessária para que essa mudança ocorra. E por que estamos falando disso?

Pois bem, me parece uma boa analogia para as grandes empresas, onde a massa é representada pelo tamanho das corporações. A inércia corporativa é algo conhecido e debatido. Para que grandes empresas tomem um novo rumo ou imprimam uma nova quantidade de movimento, uma boa quantidade de energia é necessária. Assim também é a dificuldade de inovação em ambientes reclusos pela inércia.

Quantas vezes você já teve a experiência de sentar em uma reunião em grandes empresas, por horas, e parece que tudo conspira para que tudo continue andando da mesma forma, sem mudanças, sem desafios. Parece, por vezes, que todos estão confortáveis com a direção do navio, ainda que o traçado o leve diretamente ao “iceberg”.

É exemplo disso uma série de indústrias maduras como a de telecom, que tende a se tornar uma fornecedora de “tubos ocos” (acesso e banda) sobre os quais attackers exploram os serviços de valor agregado. Essa tendência se materializará em pouco tempo, se não se reinventarem. Assim também por vezes parece a indústria de comunicação, assistindo o sucesso dos novos gigantes surgindo com as novas mídias, enquanto o bolo publicitário continua a se fragmentar e mudar seu foco.

Mas então como mudar? Como estabelecer a real inovação das grandes empresas? (E aqui não falo de inovação em criação de produtos, mas em um contexto mais amplo.)

Bom, um primeiro passo é o diagnóstico e o reconhecimento. Nada como assumir explicitamente que o “status quo” não é sustentável e portanto é necessário uma mudança de rumo. Lembro bem de um caso há cerca de 20 anos, trabalhando com clientes, certos bancos no Brasil. A bonança dos ganhos financeiros com inflação iria acabar e os bancos precisavam começar a se redirecionar para um futuro baseado em eficiência, crédito e tarifas. Certo que para mudar um banco de direção, com seus sistemas legados e redes de agências não era trivial. Mas tudo começou com um bom diagnóstico da situação e o alinhamento dos executivos, imprimindo um senso de urgência para a transformação.

Criado o senso de urgência, seguiu-se a elaboração de uma visão estratégica, de forma a definir de forma simples e clara a nova direção a seguir. E na sequência, o redesenho organizacional, de forma a habilitar o banco a implementar a visão segundo a nova direção desejada. Certo que ao falar de organização, falamos da forma ampla, dos 7S’s da McKinsey, que incluem sistemas, incentivos, habilidades, estrutura, cultura. Claro que nada disso é novo ou desconhecido. No tradicional livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, encontramos esses mesmos conceitos aplicados a organizações militares há centenas de anos. O fato é que a inércia da física é uma lei conhecida e a inércia organizacional está bem documentada em livros, estudos e consultorias.

No caso dos bancos, alguns em questão conseguiram inovar e se transformar e hoje esbanjam lucros novamente em um cenário muito diferente do passado. Outros sucumbiram à sua inércia e acabaram falindo ou sendo absorvidos pelos vencedores daquela etapa.

Portanto as questões relevantes voltam a fase do diagnóstico:

– Você sabe que tem que mudar para encontrar um novo caminho sustentável?

– Você quer mudar?

– Você tem incentivos a mudar?

– O que define a culutra da sua empresa – “shared values” – último S da McKinsey? Inação ou inovação?

Permitam-me terminar citando Fernando Pessoa, que escreveu:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Isto é inovação !!!

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Veja também na Mobi9:

“Os loucos que pensam que podem mudar o mundo, são aqueles que acabam fazendo” – Steve Jobs

The tipping point of social media: Arte ou ciência na aceleração da curva “S” de adoção das redes sociais

O futuro da internet, redes sociais e a “ERA DA TRANSPARÊNCIA”

Revolução das mídias sociais, ou 1984?

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